Começou no último sábado (18) o 6º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, realizado no Clube Guapira, em São Paulo. O evento, que segue até terça-feira (21), reúne mais de mil delegados e delegadas de todo o país, além de convidados internacionais e organizações políticas e sociais. O encontro marca os 20 anos da central com a reafirmação de sua independência de classe e combatividade.
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Entre as categorias presentes, o Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) participa com uma expressiva delegação de 40 trabalhadores, sendo 24 delegados e os demais observadores, reforçando o peso da categoria petroleira nas discussões e deliberações do congresso.
A mesa de abertura contou com saudações de representantes de movimentos sociais, centrais sindicais e organizações políticas. As intervenções destacaram a importância da independência de classe, a necessidade de enfrentamento aos governos e patrões e a urgência de mobilizar os trabalhadores diante da precarização do trabalho e dos constantes ataques aos direitos.
Na sequência, o plenário aprovou o regimento do congresso após debate coletivo, além da criação da Comissão de Opressões, responsável por acolher e encaminhar denúncias de machismo, racismo, LGBTfobia e xenofobia, uma política já consolidada na central.
O primeiro dia também foi marcado pela apresentação das contribuições globais das teses das organizações, com debates sobre a conjuntura nacional e internacional, críticas aos ataques do governo Lula e alertas sobre o avanço da extrema direita. Temas como meio ambiente, direitos dos povos originários, luta no campo e moradia ganharam destaque em um ato político realizado no plenário.
O congresso ainda promoveu discussões sobre as guerras no mundo, a crise econômica e o aumento da exploração capitalista. Representantes de 19 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Venezuela, Palestina e Botsuana, participaram com saudações internacionais, reforçando a solidariedade entre os trabalhadores de todo o mundo. O dia foi encerrado com o painel “A luta da classe trabalhadora contra o imperialismo no mundo e a solidariedade entre os povos”.
Petroleiros destacam papel da mobilização e da luta coletiva
A participação do Sindipetro-RJ tem sido marcada por intervenções que refletem a experiência recente de luta da categoria, especialmente após a greve petroleira de 2025/2026. Para Giuliano, trabalhador do Campo de Búzios, o congresso representa um passo importante de maior engajamento na luta.
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“Decidi vir ao Congresso por causa da greve petroleira de 2025/2026, uma greve muito importante, muito forte, que demonstrou uma capacidade de mobilização e de conscientização dos petroleiros muito notável. Muita gente não esperava que a gente fosse se unir tanto e, por conta dessa greve, eu decidi que quero me envolver mais, quero estar mais perto da luta, não só falando, mas agindo também”, disse Giuliano.
Já Rafael Sedov, também do Campo de Búzios, ressaltou o caráter internacionalista e o enfrentamento às opressões. “É um congresso extremamente representativo na luta contra as opressões, contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, contra a ação imperialista nos países. A gente viu isso nas discussões internacionais e agora, nos grupos de trabalho, podemos organizar os trabalhadores em torno desses temas e sair preparados para mobilizar a classe trabalhadora brasileira”, destacou.
A diretora Ana Paula Baião, do Cenpes, destacou a expectativa de avanços concretos ao final do encontro. “O nosso plenário está cheio e a nossa expectativa é que a gente saia daqui, ao final desse congresso, com um calendário de lutas e mobilizações para que nenhum direito da classe trabalhadora seja retirado”, afirmou.
Congresso segue com debates e construção de plano de lutas
O segundo dia do congresso começou com um ato político das mulheres contra a epidemia de feminicídios no Brasil, seguido pela mesa de debate sobre conjuntura nacional, internacional e plano de lutas.
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Os delegados e delegadas seguem organizados em grupos de trabalho que discutem temas como conjuntura política, precarização do trabalho, meio ambiente e opressões. Até o encerramento, na terça-feira (21), o objetivo central é construir uma estratégia unificada de enfrentamento aos ataques do governo, à ofensiva patronal e às ameaças da extrema direita, fortalecendo a organização e a mobilização da classe trabalhadora em todo o país.