28 de abril: Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho

A Segurança do Trabalho e a Saúde são temas de permanentes na bandeira de luta do Sindipetro-RJ, em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras petroleiros

O Brasil registrou mais de 380 mil acidentes de trabalho no primeiro semestre de 2025, número que acendeu um alerta entre especialistas, entidades sindicais e órgãos de fiscalização diante da possibilidade de aumento dos casos ao longo de 2026. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que no período foram contabilizados 380.376 acidentes e 1.689 mortes, representando crescimento de quase 9% nas ocorrências e mais de 5% nos óbitos em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. 

A realidade no Sistema Petrobrás

Recentemente, o Sindipetro-RJ e a FNP  participaram de uma reunião com a representação do Sistema Petrobrás pela Comissão de SMS, conforme acordado no ACT vigente. 

De início, a FNP cobrou maior abrangência nos exames periódicos dos funcionários de turno ininterrupto e offshore, devido a uma série de casos de males súbitos que estão acontecendo na companhia. Por isso, os sindicatos cobraram a volta de diversos exames que foram retirados em gestões passadas, e que, por conta do atual contexto de mortes por problemas cardíacos, foi identificada a necessidade de maior acompanhamento da saúde dos trabalhadores.

Em fevereiro de 2026 completaram 11 anos da morte do petroleiro Rodrigo Antonio que trabalhava como operador na termelétrica de Seropédica O falecimento dele ocorreu 11 dias após um “acidente” numa caldeira em que teve mais de 70% do corpo queimado por condensado que espirrou do equipamento industrial.

Em 2024, foram registradas quatro mortes de terceirizados no Sistema: duas no TEBIG, uma no Complexo Boaventura e uma no TECAB.

No dia 20 de junho de 2025, durante o trabalho na Refinaria de Paulínia (REPLAN), o terceirizado Rodrigo Carlos Medeiros, 43 anos, foi atingido no tórax e na cabeça por uma peça metálica e não resistiu. 

A insegurança também ocorre nas empresas que foram privatizadas, como na antiga BR Distribuidora, hoje renomeada como Vibra Energia. Dois trabalhadores morreram em fevereiro de 2026, na unidade integrada da empresa com a Transpetro, em Volta Redonda (RJ).

É preciso alertar que essa unidade foi privatizada, assim como todos os postos de combustíveis que ainda carregam o símbolo da BR e a maioria da população desconhece que não são mais da Petrobrás. Num primeiro momento, a grande imprensa chegou a noticiar inclusive que a unidade é da Transpetro. 

A condição dos terceirizados é um problema grave dentro da Petrobrás. Os fatos têm sido constantemente denunciados pelo Sindipetro-RJ, e além dos assuntos relativos à precarização que criticamos frequentemente, a terceirização expõe vidas em risco na medida que coloca trabalhadores com falta de preparo adequado para o exercício de funções de periculosidade.

O avanço dos registros reforça uma tendência de alta observada nos últimos anos, apontando fragilidades na prevenção, na fiscalização e nas condições de segurança nos ambientes de trabalho. Especialistas destacam que fatores como precarização das relações de trabalho, informalidade, jornadas intensas e falhas na adoção de medidas de proteção contribuem para o aumento dos acidentes. Entre as ocupações com maior número de acidentes e mortes estão atividades ligadas ao transporte, construção civil, agricultura e serviços de saúde, setores marcados por maior exposição a riscos físicos e sobrecarga de trabalho.

O conceito de acidente de trabalho 

O conceito de acidente de trabalho inclui não apenas eventos ocorridos durante a jornada, mas também doenças ocupacionais e acidentes de trajeto entre a residência e o local de trabalho. Diante desse cenário, entidades alertam para a necessidade de fortalecer políticas públicas, ampliar a fiscalização e incentivar investimentos em saúde e segurança no trabalho, buscando reduzir a incidência de acidentes e proteger a vida e a integridade dos trabalhadores. 

O dia 28 de abril foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu a mesma data como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

O Sindipetro-RJ defende que a saúde e a segurança da categoria, incluindo a pauta urgente da saúde mental, precisam ser uma frente de luta permanente do nosso sindicato. Além disso, seguimos na mobilização política para exigir do governo Lula a revogação integral das reformas Trabalhista e da Previdência, da Lei das Terceirizações e de todas as medidas neoliberais que atacam, adoecem e atacam os direitos da nossa classe.  

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