Apagão no CENPES está relacionado a quarteirização, escassez de efetivo e desinvestimento

Sindipetro-RJ cobra ao SMS, ao RH e à Cipa sua participação na Comissão de Investigação de Acidente, conforme determina ACT.

Após a explosão de um painel elétrico no prédio 11, ocorrida na última segunda (4/FEV), a qual resultou em um apagão no CENPES original, os trabalhadores foram dis­pensados no dia seguinte (5/FEV). Apesar de ter acompanhado os trabalhos de manutenção e op­eração para restabelecimento da energia durante estes dias, o Sindipetro-RJ não foi incluído na Comissão, que visitou os prédios 11 e 22, na quarta e quinta-feira (dia 6 e dia 7) e interrogou os tra­balhadores. A explosão foi causada possivelmente por um curto circuito no cabeamento elétrico dos chillers de refrigeração alugados, instalados nas dependências do prédio 22, cuja força elétrica originava-se no prédio 11, setor de distribuição de todo o site. Este aluguel se fez necessário porque o CENPES conta apenas com três chillers para garan­tir a refrigeracão e somente um encontra-se opera­cional. O calor intenso, as extremas dificuldades de compras de material e o sucateamento da estrutura própria demandaram a reposição, via terceirização temporária, de mais equipamentos para garantir o mínimo conforto térmico aos trabalhadores.

SUCATEAMENTO – Segundo os trabalhadores, a estrutura de compras e contratações da Petro­bras de hoje simplesmente está inviabilizando a empresa. Não foi permitido fazer uma especifi­cação técnica detalhada, demandando-se apenas o fornecimento de uma dada capacidade de refrig­eração. Isto é, contratou-se um fornecimento sem vinculá-lo a uma especificação técnica que garan­tisse o atendimento eficiente às necessidades do CENPES, fosse pelas atuais amarras legais impostas às estatais, fosse pelo entendimento da Companhia quanto a melhor formar de licitar. Além disso, no aluguel das máquinas prevaleceu o menor preço apresentado na licitação.

ESPECIFICAÇÕES DO CONTRATO – A empre­sa que ficou em segundo lugar na licitação alega que a primeira colocada não atendeu aos requisitos

da contratação, porque deveria ter instalado os eq­uipamentos em dois dias e demorou três semanas.

DESMONTE – Tudo isso num cenário de des­monte da infraestrutura e dos serviços de engen­haria, manutenção e operação do Centro de Pesqui­sas, que a gerência executiva anterior promoveu. Nos Prédios 11 e 22, a equipe de operação conta com diminuição constante no efetivo, refletindo uma realidade de outros prédios e laboratórios. Os trabalhadores afirmam que o desmonte é irre­sponsável e torna inviável a execução de um bom trabalho técnico de manutenção, operação e de segurança (SMS).

De acordo com Rafael Sobreiro, diretor do Sin­dipetro-RJ os profissionais estão sendo sufocados pela empresa: “Apenas no Prédio 22 temos mais de 10 equipamentos industriais e apenas 1 petroleiro para dar conta de tudo isso na maioria dos turnos. Não temos sequer mão de obra em quantidade adequada para fazer PT. Os maquinários elétricos são da década de 70 e precisam ser trocados. São muito antigos, impedem o funcionamento adequa­do, de forma segura da parte elétrica do CENPES”, disse ele.

FALTA DE VERBA – Os petroleiros também reclamam que desde a gestão anterior a verba para manutenção e operação vem diminuindo e a ter­ceirização e quarteirização aumentando sem que existam trabalhadores próprios para acompanhar o serviço prestado por estas empresas.

Além disso, gerentes estão evitando usar o Fundo Rotativo, o que leva a uma demora muito grande na compra de materiais para manutenção dos equipamentos já existentes. As novas políticas do SBS da Petrobras, por outro lado, inviabilizam completamente a empresa, seja pela extrema demo­ra dos processos, seja pela burocracia cada vez mais intensa sobre seus trabalhadores.

 

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