BR Distribuidora tem lucro “anabolizado”

A Petrobrás Distribuidora apresentou em seu balanço um lucro de R$ 1,15 bilhão, que seria o primeiro desde 2014. A imprensa alardeou o fato evidenciando que foi o primeiro balanço após o lançamento de ações em Bolsa, “revertendo prejuízo de R$ 315 milhões no ano anterior”. O que não se alardeou foi o fato de que os prejuízos anteriores foram decorrentes de depreciações de ativos e provisões. Também vale considerar que a Petrobrás executou um aporte de capital no valor de R$ 6,313 bilhões, absorvendo as dívidas do sistema Eletrobrás com a Distribuidora.

Empresa lucrativa, a Petrobrás Distribuidora não se tornou melhor simplesmente em função da venda de ações. Vários fatores pesaram no balanço atual e nos últimos, representando um oportunismo atribuir à IPO um efeito benéfico muito maior que o real. De qualquer forma, o lucro anunciado veio acompanhado da notícia de que na próxima assembleia de acionistas a empresa pedirá autorização para pagar pelo menos R$ 1,8 milhão em remuneração variável a seus diretores (o valor pode superar R$ 2,4 milhões em caso de superação de metas de desempenho) e para distribuir a seus acionistas 95% deste lucro, um total de R$ 1,09 bilhão, sob a forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio. O mercado agradece, mas a saúde financeira da empresa não necessariamente. As maiores petroleiras privadas (majors) experimentam queda nas reservas e na produção de petróleo por priorizar retorno, desproporcional e de curto prazo, para os acionistas e remunerações absurdamente altas para diretores.

(Versão do impresso Boletim 62 do Sindipetro-RJ)

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