Comperj: em reunião, Sindicato apresenta contestação de trabalhadores sobre laudo de possível poluição

Na primeira reunião que tivemos com a gerência do Comperj, em 11/09, repassamos a preocupação de trabalhadores oriundos do Terminal de Cabiúnas (TECAB) de que se repitam na UPGN do Comperj os mesmos problemas ocorridos na UPGN de lá. Lá houve mortandade de dezenas de pássaros, insetos e morcegos e diversos trabalhadores passaram mal, alguns necessitando de atendimento médico.

A suspeita mais forte é de que isso esteja sendo causado por um composto derivado do enxofre, o sulfeto de carbonila (COS), que é oriundo do processo industrial da UPGN visto que a matéria prima tem enxofre na sua composição. Esse produto, que tem mau cheiro, estaria sendo eliminado por uma chaminé (Vent). Em cima e em volta dela é que foram encontrados os animais mortos.

Essa preocupação advém de que o projeto das duas UPGNs (Comperj e TECAB) é muito semelhante, assim como a matéria prima das duas unidades.

O gerente Alessandro nos trouxe a resposta a esse questionamento na segunda reunião, dia 23/10. Segundo a versão da empresa, é reconhecido que houve mortandade dos bichos e o mal-estar das pessoas. Mas alegam que o levantamento técnico feito apontaria para que a origem do problema não seja a contaminação por produto derivado do enxofre, mas a concentração de gás carbônico, CO2, que teria causado a asfixia nos animais e levado a que as pessoas se sentissem mal.

Que haveria apenas traços de enxofre, mas em uma concentração muito baixa, o que explicaria o cheiro característico. Foi informado que foram feitas amostras ambientais e que elas não confirmaram a presença de sulfurados em concentração com risco de intoxicação. Disse ainda que a questão do cheiro também teria algo de psicológico.

Alegaram que o CO2, como é mais denso que o ar, tende a descer para o ambiente e diminuir a quantidade de oxigênio presente. Segundo o relato dos representantes da empresa, foram feitas simulações de dispersão e identificaram que a velocidade de saída pelo Vent estava baixa, causando a concentração do CO2. A solução encontrada em Cabiúnas teria sido de redirecionar o gás para o flare, junto com o gás de purga, para aumentar a dispersão na atmosfera.

Na reunião, o Sindicato apresentou a contestação dos trabalhadores à tese defendida pela gerência. Foram elencados os seguintes pontos:

1 – Não houve avaliação ambiental do PPRA para que se pudesse chegar à conclusão de que não há presença do sulfeto de carbonila ou outro composto sulfurado no ambiente. Que a técnica adotada para coletar a atmosfera e que teria demonstrado que não há presença significativa de COS é inadequada para coletas ambientais. Que esse tipo de metodologia de coleta só se usa para coletar gás em linha e não no ambiente. Assim sendo, a medição da empresa não serve para demonstrar nada.

2 – Que a análise cromatográfica gasosa feita na linha pela empresa apontou que a composição do gás tem o enxofre e que no projeto de construção do TECAB não foi levada em conta a presença desse contaminante;

3 –  Que os trabalhadores da Cipa do TECAB tiveram acesso ao laudo de necropsia dos pássaros elaborado por uma veterinária da UFF. Neste laudo consta que os pássaros não morreram por asfixia, mas sim por intoxicação.

4 – Que o cheiro é sentido em uma área muito ampla do TECAB e que é muito forte perto do Vent. Assim sendo, a afirmação de que o cheiro teria uma origem psicológica não tem cabimento.

Após nosso relato, acertamos com a gerência do Comperj a realização de uma reunião específica sobre o projeto do Comperj. Nessa reunião virão as pessoas envolvidas com esses projetos, tanto do TECAB quanto da UPGN do Comperj. De nosso lado vamos convidar os trabalhadores envolvidos nesse debate em Cabiúnas e no Comperj, assim como a Cipa do Comperj. A pauta da reunião teria 3 tópicos:

1 – Apresentação do resultado da necropsia da veterinária;

2 – Avaliação das duas hipóteses apresentadas, englobando a questão da concentração de CO2 e o estudo de dispersão dos gases e a análise físico-química das matérias primas e dos gases eliminados;

3- Comparação dos hardwares das UPGNs TECAB e Comperj

Segundo o diretor do Sindipetro-RJ, André Bucaresky,” Nosso intuito é justamente identificar o problema agora para que seja corrigido ainda nas fases de projeto e construção. Estamos priorizando o debate interno com antecedência pois queremos resolver o problema de forma que sejam preservadas a saúde e o bem estar dos trabalhadores, assim como o meio-ambiente e a vida silvestre. Não estamos amarrados a uma hipótese, mas que o objetivo é chegar à verdade dos fatos para que possamos eliminar o risco” – explicou.

Mobiliza

O Sindicato já havia se colocado à disposição da categoria caso houvesse alguma dificuldade dos trabalhadores para recolocação a partir do Mobiliza. Como havia feito no encontro anterior, o Sindipetro-RJ relatou novamente queixas dos empregados do Comperj que informam ter dificuldades em efetivar suas transferências para outras unidades.

Na reunião, a gerência informou que oito pessoas da UTE 3, de um grupo de inscritos, haviam sido selecionadas para outras áreas, e que com isso oito vagas foram abertas para reposição. Ainda, segundo a gerência, desses oito, dois da área de elétrica apresentam problemas de atratividade/competividade para envio ao Comperj.

Diante deste informe o Sindicato pediu o número total de inscritos para as vagas abertas no Comperj, mas os representantes da empresa informaram que não dispunham dos números no momento e ficaram de fornecer esses dados posteriormente. Mais uma vez, o Sindipetro-RJ reitera seu apoio e articulação caso algum trabalhador tenha necessidade defazer algum encaminhamento no Mobiliza.

CEPE no Comperj

Sobre a construção de um CEPE no Comperj, os representantes da Petrobrás informaram que não tinham nenhuma definição, tendo inclusive pedido desculpas pela lentidão do processo, e ainda aguardam a análise da gerência de Relações Sindicais para verificar a viabilização do projeto junto à Comunicação da empresa, setor responsável para encaminhar a proposta dos trabalhadores para uso de uma área do Comperj que possui estrutura já construída para implantação do clube, e que os trabalhadores da unidade já tem disponibilizado um projeto.

O Sindicato informou à empresa que pretende conversar com os responsáveis de outros CEPEs, como o do Fundão, para saber como, na prática, funciona o processo de implantação de um CEPE.

Versão do impresso Boletim CII

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