Compliance: uma grande contradição na Petrobrás

Direção da empresa se diz cada vez mais íntegra, ética e transparente, mas aplica privatização branca em seus ativos de forma nebulosa como, por exemplo, na venda do Campo de Baúna

A Petrobrás anuncia a promoção da série de palestras “Diálogos pela Integridade Petrobras”. Segundo a direção da empresa, a programação é composta por palestras e painéis temáticos com especialistas em compliance, gestores das áreas pública e privada, autoridades, representantes da comunidade acadêmica e de organismos internacionais, além de medalhistas olímpicos e paralímpicos.

O primeiro diálogo, ocorreu nesta segunda-feira no dia 30/11 (segunda-feira), com a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Roberto Barroso. Outros destaques da programação, que vai debater durante quatro dias os principais temas, avanços, conquistas e desafios da agenda de integridade, são a diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, a vice presidente de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil, Patricia Audi, e o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

A prática diferente do discurso

O ponto que envolve a contradição do discurso da direção da empresa é quando ela realiza a chamada privatização branca, em que vende ativos sem licitação por preço vil e para quem quiser, sem qualquer transparência como acontece nos casos de vendas de refinarias, da BR Distribuidora, TAG e recentemente com o campo de Baúna, localizado na Bacia de Santos, área do Pré-Sal.

Aliás a empresa que adquiriu o campo de Baúna, a Karoon Petróleo, deu uma declaração fraudulenta, quando o negócio envolvia a venda do campo junto com o de Tartaruga Verde, ao informar que a Woodside Energy, seria sua parceira no negócio, mentindo para a Petrobrás. A própria Woodside em documento oficial desmentiu na época a parceria em 2017. A FNP obteve a liminar de suspensão e a direção da Petrobrás optou por vender os campos em separado.

Agora essa mesma empresa ganha a concorrência de um campo que estava incluído no negócio que foi suspenso. Se esse for o padrão de compliance , a direção da empresa precisa prestar contas à categoria petroleira e à sociedade.

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