Contaminação de água no EDICIN atingiu pelo menos 156 trabalhadores

Risco de acidentes dessa natureza aumenta com a terceirização

O Sindipetro-RJ acompanhou a apuração do acidente de contaminação da água no Edicin. Exatamente 156 trabalhadores tiveram CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) emitida pela empresa, por terem passado mal devido a um problema de interconexão indevida dos sistemas de água de reúso e potável do Edifício Cidade Nova. No entanto, sabemos que muito mais colegas tiveram os sintomas da doença, apesar de não registrarem formalmente.

Mesmo após a empresa afirmar que a situação estava sendo resolvida, na semana seguinte houve uma reincidência de análises reprovando o consumo em diversos purificadores e água de cor amarelada descendo por torneiras de instalações sanitárias, fato decorrente de manobras no sistema de abastecimento em horário de expediente. Tudo isso sem informação prévia para os que ali trabalham.

A publicação oficial sobre o agente patológico demorou a sair e ainda há uma sensação generalizada de desconfiança quanto ao risco de outros agentes não identificados ou não analisados constarem na água imprópria consumida. Em determinados momentos, houve escassez no abastecimento de água mineral, mesmo com purificadores ainda sendo reinterditados.

Impacto da terceirização

O Sindipetro-RJ sempre defendeu que toda terceirização é prejudicial, porém, neste episódio, o problema ficou ainda mais evidenciado, diante da falta de conhecimento direto. Como toda a operação de abastecimento, manutenção e prevenção de água do edifício (atividade essencial) é realizada por uma empresa terceirizada, o pessoal próprio da Petrobrás não toma conhecimento em detalhes do que é feito, prejudicando futuras investigações e melhorias. Em casos como esse, além do desconhecimento dos detalhes e do histórico das operações e mudanças, não podemos sequer descartar a ocultação intencional de problemas identificados, uma vez que uma empresa de serviços terceirizados não possui o mesmo sentimento de pertencimento daqueles trabalhadores próprios.

Falta de cooperação

O Sindicato propôs que a Petrobrás arcasse com o oferecimento de exames parasitológicos, para detectar evidências de outros tipos de contaminação, mas a empresa desconsiderou o pedido, demonstrando falta de boa vontade e esforço para garantir a saúde dos trabalhadores, diante de um problema de sua responsabilidade. Caso algum sindicalizado não consiga apoio para fazer os exames pela empresa, pode procurar orientação no Departamento Médico do Sindicato (tel.: 3034-7347).

 

Versão do impresso Boletim CXVI

Comente com o facebook
Compartilhe: