O samba do pelego – um recado para quem não luta por seus direitos

Advogado do Sindipetro-RJ é autor do samba que satiriza pelegos

 

Atualizado às 18h27

O pelego retratado no samba é aquele trabalhador que sempre segue o que o patrão manda, ou seja, o famoso puxa-saco que não tem solidariedade com seus colegas e despreza  sua representação sindical. Trabalhando como advogado no Sindipetro-RJ, Luiz Fernando , também é músico e compôs o “samba do pelego”, até para destacar as contradições de comportamento de certos trabalhadores e mostrar a importância do sindicato.

Luiz que trabalha no Sindipetro-RJ há mais de 20 anos, esclarece que o samba não tem nenhuma relação com a atual Greve Nacional Petroleira, embora sirva para ela. “É um samba que serve para qualquer contexto de categoria e greve” – pontua.

Sabemos que nem todos os trabalhadores não sindicalizados são pelegos, mas a crítica mostra a contradição daqueles que negam a importância do sindicato, mas ao se verem traídos pela hierarquia, que os desprezou apesar de tudo reconhecem o que sempre negaram: o sindicato é o único instrumento de luta que os trabalhadores têm.

 

 

SAMBA DO PELEGO

Luiz Fernando, 27/10/2019.

 

Você sabe o que é pelego?

Pelego não é mole não…

Um sujeito diferente

Não é fechamento da gente

Sempre fecha com patrão!

Quando a farinha é pouca

Seu pirão primeiro!

Topa tudo por dinheiro

Só pensa em se dar bem

Não tem consciência de classe

E acha normal…

Pensa que é da elite

Não tem capital!

Você sabe o que é pelego? …

 

Fura greve

Nunca foi do sindicato

Fica bravo se tem ato

Em frente à porta da empresa

Com certeza

Não lê nenhum boletim

E só vai à assembleia

Se o chefe disser que sim

Você sabe o que é pelego? …

Mas se a coisa aperta é sempre igual

A única porta aberta

É da entidade sindical

Sem  pudor pelego quer assistência

Advogado, tutela de urgência…

Para reintegração

 

Carnaval e política

O compositor é um crítico contumaz da política, sendo autor e intérprete em vários blocos tradicionais do carnaval carioca como o Bloco Carmelitas de Santa Teresa. “Carnaval e política combinam bastante, eu adoro. Com esses governos que estão aí dá para muitos sambas. A cada dia é uma ‘novidade’, nos meus sambas já falei sobre Terra Plana, Goiabeira, meninas de rosa e meninos de azul. Então, o momento atual é fértil para esse tipo de composição musical” – tendo como referência o besteirol diário produzido pela turma seguidora do governo Bolsonaro, incluindo olavistas e a ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que propôs aos foliões para este carnaval de 2020, abstinência sexual.

Neste domingo (16) Luiz Fernando participou no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio, do desfile do Bloco “Tá Pirando, Pirado, Pirou!” formado por servidores do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB).  Em seu 16º desfile, o tema foi “Dá um breque no fake: a Terra é redonda e o mundo dá voltas!”.

Para o Carmelitas, que desfila na sexta-feira (21) e terça-feira (25), celebrando seus 30 anos de desfiles pelas ladeiras de Santa Teresa, o tema também será político. “Para este ano teremos o samba ‘De Pirralha Espalhada à Rebelde Balzaca’, que também vai contextualizar o momento político atual que em que citaremos a luta antifascista, tendo como referência o hino de resistência Bella Ciao, e com criticas à tarifa do bonde que circula em Santa Teresa, que atualmente custa R$ 20 “.

Vale lembrar que o compositor/advogado é também autor do “Fala com a Márcia”, uma sátira a um áudio de uma assessora do prefeito do Rio Marcelo Crivella que viralizou nas redes em 2018.

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