Povos indígenas no Brasil sofrem ataques após eleições: chamamos a categoria a se solidarizar e apoiar

A situação escancara mais uma face da disputa eleitoral no Brasil: a tentativa de transformar o voto em instrumento de controle e submissão. O Sindipetro-RJ condena veementemente essas práticas, exigindo uma investigação rigorosa e a punição dos mandantes e executantes

Após o resultado das eleições presidenciais no domingo (25/10), organizações ligadas aos povos originários do Brasil apresentaram diversas denúncias de violência — incluindo assassinatos, espancamentos e até ameaças de envenenamento da água em comunidades indígenas — com motivação política.

*Mato Grosso do Sul*

Conforme publicação da Agência Brasil, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que pelo menos cinco assassinatos de indígenas da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul (MS), estão sob investigação.

O coordenador do Cimi-MS, Matias Benno Rempel, relatou que os indígenas sofreram diversas intimidações durante o período eleitoral: “Caminhonetes circulavam pelo território e ocorreram agressões a indígenas para tentar gerar pânico na comunidade e impedir o exercício do voto”.

Áudios que circularam amplamente no final de outubro de 2026 expuseram conversas atribuídas a um servidor público da Prefeitura de Tacuru (MS) sugerindo a contaminação da água consumida pelos indígenas da Aldeia Sassoró. Nas gravações, o interlocutor afirma textualmente ser necessário “pôr veneno na água” e “matar essas pragas”.

As denúncias de violência continuaram a surgir nos dias seguintes. Na manhã de quinta-feira (29/10), a casa de reza de uma anciã indígena de 90 anos, na Aldeia Jaguapiré (também em Tacuru), foi incendiada, destruindo instrumentos sagrados utilizados nos rituais da comunidade. A publicação destaca que a vítima vinha sendo alvo de ofensas racistas e discriminação.

Ainda no Mato Grosso do Sul, indígenas da etnia Terena denunciaram ameaças, insultos racistas e tentativas de bloqueio ao voto nas aldeias. As denúncias divulgadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) incluem declarações defendendo restrições de acesso das comunidades às cidades e a serviços essenciais. Há também relatos de atropelamentos em Coronel Sapucaia, com o registro de uma morte. A APIB encaminhou relatórios com episódios de violência praticados contra indígenas de outras regiões do país.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul (RS), na Terra Indígena Votouro, indígenas Kaingang e Guarani denunciam ameaças e perseguições relacionadas à disputa eleitoral. Cinco trabalhadores indígenas foram demitidos após participarem de uma carreata em apoio a Lula. Em 13 de outubro, um conflito no local resultou na morte de três indígenas.

Pará

Durante o período do pleito, em 12 de outubro, o jornal Folha de S.Paulo revelou ataques semelhantes em aldeias de São Félix do Xingu, no Pará. De acordo com a reportagem, pecuaristas ameaçaram invadir o território Apyterewa, homologado em 2007, para implantar fazendas caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a eleição presidencial.

Os Parakanãs, que habitam a região, disseram à reportagem que motos e caminhonetes circulavam pelo território, e que fazendeiros alertaram os moradores a deixar o local, evitando áreas que estavam sendo preparadas para pastagens e cultivos.

Sindicato faz um chamado

O Sindipetro-RJ faz um chamado à categoria petroleira a participar das mobilizações em apoio aos povos originários afetados pelo assédio e violência política, seja nas redes e nas ruas.  

Repudiamos os ataques e exigimos do governo federal, e das instituições responsáveis,  proteção imediata aos povos indígenas sob a mira do agro e dos grileiros.Que a classe trabalhadora e a juventude se solidarize em todas as partes com essa luta.

Exigimos de Lula a investigação imediata e punição para todos os envolvidos nas ações criminosas.É preciso lutar pelo fim do Marco Temporal e a demarcação e homologação de todas as terras indígenas já!

 

Imagem em destaque – Paulo Pinto Agência Brasil

 

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