Defender os bens do Brasil, já!  cartilha pre sal

Defender os bens do Brasil, já! 

“O patrimônio natural do Brasil é dos brasileiros”, afirmou recentemente o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Jaime Spengler em evento da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que anda preocupada com os rumos do País que vive a “entrega das riquezas naturais à exploração desenfreada de empresas multinacionais, que olham para nossos bens naturais apenas com o olhar da ganância e da avareza”. Na reunião do Conselho Permanente, por exemplo, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de junho passado (mais informações, consulte o link ao final desta postagem), os bispos ressaltaram a defesa da soberania dos bens do Brasil. O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, alertou que não se pode perder a soberania sobre os bens que estão ligados à Eletrobras e à Petrobras: água, petróleo, gás e energia elétrica.  

Defender os bens do Brasil, já!  Campanha CNBB 2

Unindo forças 

Em busca de apoios contra a Privatização da Petrobrás, os diretores Patrícia Laier e Luiz Mário Nogueira Dias da Secretaria de Política e Formação Sindical do Sindipetro-RJ estiveram em Brasília no dia 05 de setembro de 2017. Patrícia e Luiz Mario foram recebidos pelo próprio Steiner. Patrícia falou sobre a importância da Petrobrás para os brasileiros e denunciou que o desmonte é um crime de lesa-pátria. E Luiz Mário, que também é diretor da FNP – Federação Nacional dos Petroleiros, explicou as circunstâncias do Brasil no cenário internacional.  

Riqueza cobiçada 

A geóloga Patrícia Laier esclareceu aspectos técnicos da Cessão Onerosa, do Pré-Sal, por exemplo, citando os excedentes de 9,8 a 15,2 bilhões de barris de óleo equivalente das áreas de Franco (campo de Búzios, maior super-gigante do Pré-Sal), Entorno de Iara (campos de Norte e Sul de Berbigão, Norte e Sul de Sururu e Atapu), Florim (campo de Itapu) e Nordeste de Tupi (campo de Sépia).  

A nova colonização 

Fatos relevantes da história recente foram rememorados por Luiz Mário, como a reativação da 4ª Frota Naval dos EUA em 2006; a espionagem que o Brasil sofreu dos EUA em 2009 (provada pelo telegrama¹ confidencial enviado do Consulado dos EUA para a Embaixada dos EUA em Brasília, mostrando claramente o envolvimento do representante dos EUA no Brasil com os representantes das multinacionais de petróleo e gás numa trama contra o novo Marco Regulatório do Petróleo e Gás) tornada pública quando da deserção do agente da NSA, Edward Snowden, em 2013, mesmo ano em que começaram os protestos no Brasil usados, posteriormente, pelos meios de comunicação hegemônicos contra o Governo; e que o impedimento da Presidente Dilma Roussef tem relação com a nova colonização internacional no Brasil.  

Espalhar o conhecimento 

Durante o encontro na CNBB, os dois diretores do Sindipetro-RJ prontificaram-se a ministrar palestras de geopolítica do petróleo com foco no Brasil e no Pré-Sal em todo e qualquer espaço disponível, como igrejas, educandários, universidades, mosteiros, conventos e em eventos em geral promovidos pela Igreja Católica no Brasil. Luiz Mário reafirmou que “lutaremos contra as reformas trabalhistas, previdenciária, educacional, e que por tantos aspectos em comum, a FNP apoia o Grito dos Excluídos: por direito e democracia, a luta é todo dia!”.

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O Sindipetro-RJ marcou presença no “Grito dos Excluídos” de 2017: assista ao vídeo no final desta postagem

Para o evento deste ano, que mobiliza inúmeras entidades em todo o País no dia 07 de setembro, as reuniões organizativas já começaram a acontecer em todas as cidades e o Sindipetro-RJ é um dos participantes. Naquela oportunidade, os diretores do Sindicato entregaram a Dom Leonardo Ulrich Steiner, adesivo de carro “Privatizar Faz Mal ao Brasil – Reage Brasileiro”, cartilha “Todo o Petróleo Tem que Ser Nosso”, broche da Campanha, panfleto “Caxias e Brasil – Estamos Sendo Roubados”.  

Contra a pobreza 

Se a maior empresa do Brasil está sofrendo um ataque ostensivo, a população vem sendo massacrada cada vez mais com o achatamento econômico. Em março deste ano, em aula inaugural do ano letivo na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz) foi divulgado que de 2014 a 2016 o número de pessoas em extrema pobreza no Brasil saltou de 5.162 milhões para quase 10 milhões. Com o objetivo de trazer o tema para o centro das discussões sociais, todos os anos organizações não governamentais realizam uma ação unificada. Neste ano, a ideia é cruzar o País, denunciando o Mapa da Fome, abrangendo pelo menos 2.906 quilômetros do sertão de Pernambuco até a capital paranaense em trajeto iniciado dia 27 de julho até 05 de agosto. Uma das entidades que apoiam esta ação é a CNBB. Para dom Enemésio Ângelo Lazzaris, bispo de Balsas (MA), a ameaça de o Brasil voltar ao Mapa da Fome se situa dentro de um contexto geral do desmonte dos direitos sociais e humanos no Brasil. “Estamos numa escalada muito forte contra os direitos adquiridos desde o processo da Constituinte de 1988”, afirmou. 

Barrar a Privatização 

Com pressa de oferecer pedaços da Petrobrás ao capital internacional, a atual Diretoria da Empresa, indicada por Michel Temer, tem feito anúncios pontuais sobre a venda de ativos sem poupar sequer setores essenciais ao povo, como por exemplo tubulações responsáveis pela distribuição de gás de cozinha. Direitos adquiridos nos últimos governos federais estão sendo retirados pelo atual governo federal, avalia Lazzaris. “No nosso sistema, os direitos dos pequenos estão sendo tolhidos e as poucas conquistas estão sendo retiradas”, disse.  

 [1] https://wikileaks.org/plusd/cables/09RIODEJANEIRO369_a.html

http://www.cnbb.org.br/agenda-neoliberal-aumenta-preocupacao-dos-bispos-com-soberania-do-pais/

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