6ª Rodada de Produção do Pré-Sal e os pretextos para mais saques

Leilão da ANP arrecada R$ 5,05 bi, quando esperava arrecadar R$ 7,85 bi. Governo adverte: hora de “mudar as regras”

Na manhã desta quinta-feira (7), a Petrobras foi a única a apresentar proposta e arrematou o bloco de Aram. Os outros quatro blocos não receberam ofertas. A Petrobrás, em consórcio com a chinesa CNODC, apresentou a única oferta do leilão, e arrematou o bloco que fica localizado na Bacia de Santos – o mais caro dentre os oferecidos.

Não escondendo a frustração o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que o resultado foi abaixo do esperado. “Estou surpreendido, sim. Esperava que houvesse a contratação dessas três áreas pelas quais a Petrobrás manifestou direito de preferência” – lamentou.

Pelo bloco de Aram, a Petrobrás ofertou o percentual mínimo de óleo excedente para a área, de 29,96%. A empresa não fez ofertas pelos blocos de Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava, apesar de ter exercido o direito de preferência por essas áreas.

Com os burros n’água

Para termos ideia do fracasso deste leilão da 6ª Rodada de Partilha de Produção do Pré-Sal, estavam habilitadas 17 empresas para disputar os blocos, entre elas ExxonMobil, Shell, BP e Chevron , mas nenhuma delas apresentou propostas pelos blocos, ao contrário do que propagavam Paulo Guedes, Bolsonaro e Roberto Castello Branco.

Parece até jogada ensaiada

Apelando um pouco para a teoria da conspiração, o fracasso do leilão surge como excelente pretexto para se retomar o regime de concessão e varrer do mapa o polígono do Pré-Sal. Imbuído pelo mais puro espírito de “O Petróleo é Vosso” é exatamente isso que o governo busca fazer, além atuar para tirar da Petrobrás a possibilidade de exercer o direito de preferência por blocos a cada leilão na área.

O modelo de concessão, muito mais lesivo ao país, é aquele no qual a empresa assume o risco da atividade (sendo que no Pré-Sal ele é mínimo) e se torna dona do óleo produzido, pagando apenas royalties de reduzida expressão e tento absolutamente nenhum compromisso com a sociedade e o mercado nacional. Daí o fato de multinacionais e entreguistas serem tão fãs, sob o discurso intelectualmente desonesto de que existe distorção na concorrência. De fato existe: a Petrobrás fez todo trabalho de prospecção, assumiu todos os riscos e as demais empresas chegam ao final para pegar o filé.

A desfaçatez dos porta-vozes do governo é tão grande, que até a compensação devida pelas empresas à Petrobras pela aquisição de blocos do excedente da Cessão Onerosa é criticada e chamada de bilionária, como se fosse indevida. “Especialistas” já dizem que a Petrobras não conseguirá desenvolver o campo de Búzios sem vender uma parte para parceiros no futuro. No passado também disseram que o Pré-Sal era inviável, dentre outras bobagens; hoje, a empresa informa que o custo de extração do barril é de U$5,00.

Imagem EBC

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