Nossa categoria tem objetivos claros e urgentes: precisamos lutar por um ACT robusto, pelo avanço no PCCS e o fim dos PEDs assassinos. A questão central, no entanto, não é apenas o que queremos, mas como vamos conquistar. E para isso, precisamos encarar um fato incontestável: nosso adversário direto na mesa de negociação é a direção da Petrobrás
É preciso analisar, portanto, a natureza dessa direção. A presidenta da empresa, Magda Chambriard, foi indicada pelo atual governo do PT. E qual tem sido o balanço de sua gestão para os trabalhadores? Vimos a dificuldade para garantir a continuidade do teletrabalho, que sofreu ataques e foi reduzido em um dia. Temos visto a política de pagamento de dividendos bilionários aos acionistas continuar, enquanto o “apertar os cintos” é apenas para os trabalhadores. Para nós, é claro que para conquistar um ACT digno teremos que nos enfrentar, em algum grau, com a atual gestão e o atual governo. Portanto, a independência do nosso sindicato frente ao governo não é uma questão de opinião, mas uma necessidade estratégica. Os direitos dos trabalhadores não estão à venda.
Novamente, o debate sobre “unidade” se torna crucial. Todos queremos unidade, mas precisamos perguntar: unidade para quê e em que termos? Se a proposta for unificar a categoria para atrelar nossa campanha salarial à agenda eleitoral do governo, estaremos enfraquecendo nossa própria luta. Uma campanha forte por direitos exige autonomia para pressionar e criticar, sem amarras políticas que nos silenciem. Defendemos uma política que fortaleça a independência da classe dos trabalhadores, que nos organize para lutar por nossos interesses. Rejeitamos uma política que nos coloque a reboque da empresa e do governo. A pressa de alguns em aprovar propostas “a toque de caixa” serve justamente para evitar esse debate de fundo, que é essencial para o futuro do nosso movimento.
Por fim, o óbvio ululante: é preciso derrotar a direita e o bolsonarismo. Mas a melhor forma de fazer isso é construindo um sindicalismo forte e independente, que conquiste vitórias concretas para a classe trabalhadora. Um sindicato atrelado a um governo que possui ministros do Centrão e que nomeia uma direção de empresa alinhada ao mercado perde sua força como ferramenta de transformação e, consequentemente, sua capacidade de ser uma alternativa real à direita e suas matizes.
Manter o sindicato independente da empresa e do governo é o único caminho para garantir um ACT melhor e, ao mesmo tempo, construir a força social necessária para derrotar de verdade nossos inimigos.
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