Jogando contra: presidenta da Petrobrás afirma que empresa foca seus resultados para os acionistas

Declaração foi dada durante aula magna para alunos da IAE Paris-Sorbonne Business School, no Rio de Janeiro

Na última quinta-feira (18/06), a presidenta da Petrobrás, Magda Chambriard, disparou uma declaração que não chega a ser novidade para o Sindipetro-RJ. Durante aula magna para estudantes da escola de negócios francesa — realizada no Rio em parceria com o Instituto de Desenvolvimento em Gestão de Projetos (IDGP) —, a executiva afirmou textualmente que o que mais interessa à companhia é a geração de lucros e o pagamento de dividendos a acionistas.

Em novembro de 2024, já vínhamos alertando sobre essa postura na reportagem “Petrobrás é só alegria para os acionistas!”. Na época da apresentação do Plano de Negócios 2025-2029, Chambriard deixou explícito que o objetivo principal da estatal é “dar retorno ao acionista”, mantendo números escandalosos na distribuição de lucros.

A bola só chega para os acionistas

A cada resultado financeiro divulgado pela Petrobrás, os grandes acionistas comemoram como se fosse um gol da seleção em final de Copa do Mundo. Basta olhar para o lucro líquido de 2025: R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), um salto de 200% em relação a 2024 (R$ 36,6 bilhões). A euforia do mercado veio carimbada pelo pagamento de R$ 41,23 bilhões (US$ 8,02 bilhões) em dividendos.

Para o novo Plano de Negócios 2026-2030, a companhia projeta pagamentos potenciais de dividendos entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. Embora a faixa máxima pareça ligeiramente inferior aos US$ 45-55 bilhões do plano anterior, a dinheirama representa impressionantes 56% a 62% do valor de mercado da empresa. Ou seja, a prioridade máxima continua sendo encher os bolsos de quem fica só de camarote. Assim, a gestão deixa bem claro para quem ela realmente joga

Enquanto isso, os trabalhadores da companhia travam uma luta árdua para receber uma PLR condizente com sua contribuição real na geração dessa riqueza. A resposta da gestão é sempre a mesma ladainha sobre “dificuldades”. Na ponta do lápis, a categoria recebeu míseros 3,26% do lucro líquido obtido em 2025, enquanto os acionistas abocanharam 37,44%.

Estudo mostra a bola fora da Petrobrás

Não bastasse a disparidade na PLR, a força de trabalho da estatal recebe menos do que a média de outras gigantes do setor. Se fosse organizada uma “Copa do Mundo” dos salários entre as 10 maiores petroleiras globais que abrem seus dados, a Petrobrás amargaria a lanterna.

O dado revoltante consta no estudo A Petrobrás e o Setor Mundial de Petróleo – Faturamento, Rentabilidade e Remuneração, apresentado em 2025 pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE) a pedido do Sindipetro-RJ. O levantamento detalha como a remuneração média da Petrobrás está rebaixada em comparação com o mercado internacional.

Ao expor sua linha de gestão em Paris, Magda Chambriard demonstra orgulho em jogar exclusivamente para garantir o lucro financeiro, virando as costas para os trabalhadores. Quando a pauta é PCCS, aumento salarial real e melhorias na PLR, a direção da Petrobrás age como aquele treinador que desvaloriza quem realmente carrega o piano em campo. Não esquecendo que essa tática adotada é também contra as necessidades do país, ao não desenvolver tecnologias. E claro, não podemos esquecer dos PEDs que sacrificam os aposentados que deram o sangue pela empresa,

Basta Magda! Os trabalhadores entrarão em campo para defender seus direitos e a maior empresa do país contra os acionistas e você! Ignorar o esforço de quem constrói o dia a dia da maior empresa do país é uma tremenda bola fora.

 

Últimas Notícias