Carta aberta a Felipe Coutinho, Presidente da AEPET

Em campanha eleitoral para a vaga de representante dos trabalhadores no CA da Petrobrás, o petroleiro Eduardo Cassús (3131) escreveu carta aberta ao presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Felipe Coutinho, que escreveu o texto “A Farsa da ‘Democracia’ nos Conselhos de Administração: Participação dos Trabalhadores como Propaganda Capitalista”.

 

Prezado Felipe,

Recebi ontem, de diversos colegas, a sua análise crítica sobre a participação dos trabalhadores em Conselhos de Administração e, na condição de candidato ao cargo de conselheiro representante dos trabalhadores da Petrobras, gostaria de apresentar um breve comentário.
A sua análise não possui mácula nem vício. Você tem razão em todos os pontos e destaco o trecho em que você coloca que “Na prática, os representantes dos trabalhadores nos CAs são minoria, muitas vezes sem direito a voto ou com influência marginal”. Pontuo que o cerne do seu texto está justamente na Lei 12.353 de 28 de dezembro de 2010, que no seu artigo segundo, parágrafo terceiro, declara:
“Sem prejuízo da vedação aos administradores de intervirem em qualquer operação social em que tiverem interesse conflitante com o da empresa, o conselheiro de administração representante dos empregados não participará das discussões e deliberações sobre assuntos que envolvam relações sindicais, remuneração, benefícios e vantagens, inclusive matérias de previdência complementar e assistenciais, hipóteses em que fica configurado o conflito de interesse.”
Pelo que vemos, a representação dos trabalhadores é realmente reduzida, mas não é nula. Quero chamar atenção para a Lei 6.404 de 1976, que no seu art. 142, III, diz que compete ao Conselho de Administração:
“fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos”.
Nesse ponto, a atuação do representante dos trabalhadores no CA é crucial. Decisões que prejudicam os trabalhadores têm impacto que vai além da mera relação sindical. Em tópicos, como a redução do teletrabalho, por exemplo, verifica-se aumento de gastos que não se traduzem em melhoria da produtividade ou da lucratividade da empresa. A alta administração precisa explicar essa decisão e, caso não consiga, deverá responder por isso nos fóruns competentes.
Compreendo seu ceticismo com a atuação do representante dos trabalhadores no CA. O histórico recente tem sido de complacência e omissão. A posição foi sendo reduzida àquilo que você nomeou “assento simbólico”. Isso não precisa ser necessariamente assim, mas para mudar as coisas é preciso uma representação combativa que leve os assuntos de interesse da categoria petroleira àqueles locais onde possam ser solucionados. Se o CA não for esse local, o peso da representação de dezenas
de milhares de trabalhadores deve conduzir o conselheiro eleito para onde ele puder ser ouvido: seja o Ministério Público do Trabalho, o Tribunal de Contas da União, ou onde for preciso.
O representante dos trabalhadores no CA tem o dever de rejeitar o jogo do capital e denunciar o papel do próprio conselho, sabendo que há limites, mas mesmo dentro das regras desiguais que enfrentamos, a luta dos trabalhadores não deve se calar.
Conto com o seu apoio e da AEPET, para que, em parceria, possamos transformar a realidade da Petrobras para que se torne uma empresa mais justa com aqueles que a construíram no passado e a constroem hoje.
Tenha a certeza de que estamos no mesmo lado por uma Petrobras 100% estatal voltada para o desenvolvimento do Brasil, que respeita seus trabalhadores e cumpre o seu papel de desenvolvimento social.

Viva os trabalhadores da Petrobras!
Viva o Povo Brasileiro!

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2025.

Eduardo P. Cassús
Químico de Petróleo Sênior
Candidato ao cargo de Representante dos Trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras

Carta aberta a Felipe Coutinho AEPET

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