Diretora do Sindipetro-RJ denuncia assédio moral na Petrobrás

As ameaças de perseguição do governo Bolsonaro a funcionários públicos de carreira que integrem movimentos sindicais tomam forma na Petrobras. A diretora do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) Carla Marinho acusa a cúpula da estatal de assédio moral após seu afastamento de um cargo de consultoria na empresa.

 

Alocada no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), na Ilha do Fundão, a funcionária disse que foi afastada sob a alegação de um suposto ‘conflito de interesses’.

 

“Na nossa interpretação, isso se deu em forma de retaliação a quem se dedica ao movimento sindical porque há uma direção sindical séria. Até onde sei fomos as duas únicas consultoras da história do movimento sindical, e a empresa retaliando, assediando moralmente, tira nossa consultoria sem nenhuma justificativa técnica plausível e de uma forma extremamente contraditória”, culpou.

 

Ocupando o cargo desde 2014, Carla não foi a única afetada pela decisão da nova diretoria da Petrobras. Patrícia Layer, também filiada ao Sindipetro, foi retirada do posto recentemente.

 

“Passamos por um extenuante processo de revalidação da consultoria no ano passado que foi bem sucedido, ou seja, a empresa assina embaixo que temos competência e ética para estar na função. Temos o reconhecimento dos nossos pares e do nosso gerente da unidade onde trabalhamos, mas a empresa afirma que existe esse pretenso conflito de interesses por ser dirigente sindical. É um absurdo, uma coisa anti democrática e que rasga o próprio código de ética da companhia”, lamentou.

 

A diretoria do Sindipetro divulgou uma nota condenando a atitude da cúpula da Petrobras. Além de citar seu afastamento do cargo de consultora, Carla fez outra denúncia: o descaso de seguidas gestões com o Centro de Pesquisa.

 

“Há muitos anos ele vem sofrendo um processo de abandono e a gerência executiva anterior contribuiu muito para isso, inclusive por criar condições para que nossos operadores de manutenção saíssem do Cenpes, fossem alocados em outras unidades, e nós vendo sempre a estrutura naturalmente envelhecendo com o tempo, mas sem o devido trato que deveria ser dado”, pontuou a servidora.

 

Apesar de ser considerado uma unidade de pesquisa, o Cenpes conta com equipamentos que o colocam como uma refinaria comparável a muitas espalhadas pelo Brasil, como a Clara Camarão (RPCC) e a Isaac Sabbá, conhecida como Reman, no Amazonas.

 

“O Cenpes tem sido tratado historicamente como uma unidade administrativa, sem se dar atenção para esse lado e sua estrutura de laboratórios. O sindicato tem feito um trabalho de buscar soluções, discutir com a gerência executiva atual que até se mostra aberto ao diálogo, mas sentimos as consequências de anos de abandono de várias formas, como um incêndio no prédio 20 e um painel elétrico que explodiu em outro prédio. É necessário que se dê prioridade máxima para evitar que um acidente maior aconteça aqui dentro”, constatou.

 

Ouça aqui a entrevista de Carla Marinho.

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