Os diretores da FNP e do Sindipetro-RJ cobraram respostas efetivas, criticam o Programa Cuidar e alertaram para prejuízos aos beneficiários que dependem dos medicamentos GLP-1
O Sindipetro-RJ reafirmou que continuará acompanhando com muita atenção a implementação das mudanças e cobrando soluções concretas para garantir que nenhum trabalhador ou aposentado tenha seu tratamento interrompido por falhas administrativas, burocracia ou dificuldades de acesso aos serviços.
A reunião entre a APS e representantes sindicais, realizada nesta sexta (10), evidenciou o crescente descontentamento dos trabalhadores e aposentados com a condução do Programa Cuidar e com as novas regras para acesso aos medicamentos GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade.
Embora a APS tenha iniciado o encontro apresentando números para demonstrar a ampliação da capacidade de atendimento, com contratação de médicos, aumento de agendas e novos mutirões, as manifestações dos dirigentes sindicais com exemplos dos problemas enfrentados pela categoria revelaram uma realidade marcada por burocracia, falhas de comunicação, dificuldades para agendamento e insegurança quanto à continuidade dos tratamentos.
Houve relatos de casos graves como o de não se conseguir receber o medicamento pelo Benefício Farmácia, porque os pedidos foram cancelados sem qualquer explicação no sistema. Também houve problemas de acesso ao portal, necessidade de comprar o medicamento com recursos próprios e até negativa de reembolso por um erro formal na receita médica. E pior, o sofrimento ainda se aprofundou com a falta de acolhimento diante de quem já está enfrentando problemas de saúde.
Programa Cuidar não é tão amigo
Os representantes da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) afirmaram que o Programa Cuidar, da forma como vem sendo implementado, está longe de facilitar a vida dos beneficiários.
Embora seja necessário combater fraudes e preservar o equilíbrio da AMS, a forma como o processo foi estruturado acabou criando novas barreiras para quem realmente necessita do tratamento. As críticas da FNP passam pelo excesso de etapas, limitação do atendimento ao Hospital Sírio-Libanês e as dificuldades para o uso dos sistemas digitais, considerados pouco intuitivos.
Também foi lembrado que a exigência de participação no Programa Cuidar surgiu durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), mas que as discussões permanentes prometidas pela Petrobrás não vêm ocorrendo com a agilidade necessária.
Demandas acumuladas e respostas lentas
Outra crítica recorrente foi a demora da APS em responder às reivindicações apresentadas pelos sindicatos.
Os dirigentes afirmaram que diversos temas encaminhados anteriormente permanecem sem solução e alertaram que responder apenas por ofícios tende a prolongar ainda mais problemas que já afetam diretamente os beneficiários.
Também foi cobrada a retomada de atas e registros formais das reuniões para garantir acompanhamento das demandas e dos compromissos assumidos pela Empresa.
Falta de comunicação amplia insegurança
Outro ponto bastante criticado foi a forma como a Petrobrás e a APS comunicaram as mudanças nas regras de acesso aos medicamentos.
Segundo os sindicalistas, muitos trabalhadores receberam informações desencontradas, gerando dúvidas, insegurança e receio de interrupção do tratamento.
A avaliação é que a empresa possui canais suficientes para comunicação direta com os beneficiários, mas falhou em utilizá-los de maneira clara e objetiva durante a implementação das mudanças.
Atendimento continua insuficiente
Apesar da APS afirmar que ampliou significativamente a oferta de consultas e que novos horários serão disponibilizados, os dirigentes sindicais relataram que muitos beneficiários continuam sem conseguir agendar atendimento no Sírio-Libanês.
Também foi cobrado que laudos e receitas emitidos por médicos de outras instituições sejam efetivamente aceitos para evitar interrupções no tratamento enquanto o atendimento pelo Programa não ocorre.
Para o Sindipetro-RJ, a assistência à saúde deve colocar o beneficiário no centro das decisões, assegurando atendimento humanizado, acesso rápido aos medicamentos e comunicação transparente, sem transferir aos trabalhadores os problemas de gestão da Empresa.