A política de treinamentos normativos obrigatórios adotada pela gerência da plataforma P-78 tem sido alvo de fortes críticas por parte dos trabalhadores. O Sindicato enviou nesta semana um ofício (link) sobre o caso e aguarda resposta da empresa.
De acordo com os relatos, as aulas teóricas vêm sendo agendadas para o primeiro ou segundo dia a bordo. Este período é considerado crítico pela força de trabalho, pois é dedicado à adaptação ao ambiente e à passagem de serviço entre as equipes, tornando o momento totalmente inadequado para atividades que exijam isolamento e concentração.
A denúncia feita pelos trabalhadores também aponta falhas graves de comunicação interna e planejamento por parte da gestão da P-78. Alguns supervisores dos setores sequer têm recebido avisos prévios sobre as convocações, o que resulta na retirada abrupta de profissionais de suas funções essenciais em campo.
Esse impacto é agravado pelo fato da plataforma já operar frequentemente com efetivo reduzido devido a férias e desembarques. Com trabalhadores fora da operação para fazer o curso nesse modelo, a equipe que permanece no campo enfrenta uma sobrecarga para dar conta de um volume de demandas que já é considerado altíssimo.
Outro ponto crítico é a incompatibilidade entre o ambiente dinâmico da plataforma e a atenção exigida por cursos teóricos.
Para não deixar o trabalho operacional desamparado, os trabalhadores relatam que tem realizado os cursos de maneira apressado para poder retornar o quanto antes às atividades de campo. O modelo atual, portanto, compromete a eficácia do próprio treinamento normativo.
Todos esses elementos tornam evidente que, mais uma vez, a empresa opta por uma política de contenção de custos implementada às custas do desgaste físico e mental dos trabalhadores.
É preciso que a gerência da P-78 suspenda imediatamente o modelo atual e restabeleça condições adequadas de trabalho e estudos. Para isso exigimos o retorno ao modelo presencial em terra, assegurando a realização dos treinamentos em ambientes propícios e fora do período de embarque. Além disso, cobramos uma compensação financeira justa e que, caso os cursos ocorram durante o período de folga, que se realize o pagamento de horas extras ou a devida compensação nos moldes da legislação e dos acordos vigentes. Isso deve ser combinado com um uma boa comunicação com os supervisores para evitar desfalques surpresa no efetivo.
A manutenção dessa política de má-gestão coloca em risco a saúde coletiva e a segurança operacional da unidade, e portanto aguardamos com celeridade um posicionamento formal da empresa e medidas práticas para solucionar essa questão.