Para esclarecer a greve nos Correios e a campanha reivindicatória da categoria

a partir de textos de trabalhadores dos Correios

Os Correios entraram em greve e, como sempre, os jornais que todos assistem, não informam os verdadeiros motivos, portanto é bom explicar para quem estiver interessado em se informar, antes de julgar.

Desde julho está ocorrendo à negociação entre Sindicato e Correios, que até então estava com um presidente que defendia um Correios Estatal (ao menos nas redes sociais) e que por isso foi demitido.

O governo então, com o intuito de privatizar, colocou um presidente que trabalhasse para isso, sendo assim, ele propôs absurdos, pois avaliava que os trabalhadores, com medo de uma privatização, aceitariam qualquer coisa. As perdas de benefícios e proposta de aumento abaixo da inflação são tão absurdas, que o TST (Tribunal Superior do Trabalho), na mediação, propôs prorrogar as negociações até o fim de agosto.

O novo presidente dos Correios, estrategicamente, sabendo que os trabalhadores não iriam aceitar as propostas, simplesmente ignora o TST, se nega a negociar, força os trabalhadores a fazerem greve, com uma mídia a serviço desse sistema, jogando a população contra os trabalhadores. Prejudicando a todos, simplesmente para facilitar uma possível privatização.

Os Correios tiveram lucro nestes últimos dois anos. Não usa dinheiro da União, pelo contrário, o lucro é usado pelo Governo. NÃO HÁ MONOPÓLIO de entregas de encomendas, simplesmente é o serviço mais barato entre os concorrentes e o único que entrega em TODAS as CIDADES do BRASIL.

Se você não recebe encomendas no seu bairro é por motivos de falta de segurança pública, não é culpa dos Correios. Se o Correios for privatizado, você que compra e vende pela internet, pesquise os valores de outras empresas de entregas para saber o quanto você vai pagar e perder. Temos entregado mais de 98% das encomendas no prazo ou até antes. O acerto é a nossa prática, mas sempre trabalhamos na melhoria de nossos processos.

Um Correios privatizado significará, na verdade, a desassistência de muitas cidades (324) ou maiores custos para as empresas e pessoas no envio e recepção de pequenas ou grandes encomendas. Isto é, menos negócios e mais desemprego não só na ECT, mas por todo o país.

Para terminar, há críticas aos trabalhadores dos Correios tanto pelo apoio à candidatura de Bolsonaro – que parte da categoria expressou durante a campanha eleitoral, quanto pela contestação ao governo Dilma e ao PT na gestão dos Correios. Sem dúvida, a maior parte da Classe Trabalhadora votou e foi enganada por Bolsonaro, mas já se deu conta disso. Tanto é que sua rejeição já é maior que sua aceitação. Quanto aos Governos do PT, é bom que se deixe claro que a categoria tinha e tem motivos para a bronca. Houve fraudes contra nosso plano de previdência, transformaram em lei (em 2011) uma medida provisória que facilitou a terceirização (a introdução do cavalo de Tróia das prestadoras de serviços), a criação de subsidiárias (lembrem do julgamento do STF no caso da PETROBRÁS) e acabou por abrir as brechas para a privatização.

Agora fica muito claro os resultados negativos do loteamento político e da entrega de áreas inteiras aos partidos da base de apoio, inclusive, do antigo partido do Bolsonaro, o PP, bem como de vários de seus históricos e atuais aliados. Que o diga o Índio da Costa, que havia sido preso por fraude contra os Correios na Operação Postal Off, e que apadrinhou gente nas direções passadas e na atual. Ou aqueles presos na operação Rizoma que fraudavam o fundo de aposentadoria Postalis.

Portanto, desdenhar dos trabalhadores em greve com um “eu avisei” ou “eram felizes e não sabiam”, ao invés de prestar o devido apoio à Greve, fortalece BOLSONARO, acaba por contribuir para as privatizações em curso (Petrobrás, Eletrobrás, a própria ECT) e para uma derrota da classe trabalhadora na defesa do patrimônio nacional e dos direitos.

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