Petrobrás alardeia os resultados de 2018 como se antes estivesse quebrada

O quadro é muito diferente do que a grande mídia e a própria direção da Petrobrás tentam vender. Analisando os resultados como um todo, vemos que a força de trabalho produziu recorrentes e ótimos resultados, com recordes conquistados ano a ano.

Os 36 bilhões de lucro potencial/25,8 bilhões de lucro líquido realizado em favor dos acionistas, descontados os fatos não recorrentes (acordo com a ANP relacionado ao Parque das Baleias, registros de impairment (depreciação) e perdas com contingências, foram apresentados aos petroleiros, e à população como um todo, de modo a justificar a desfaçatez criminosa das vendas de ativos e “parcerias”. A mensagem anunciada em 27 de fevereiro foi simples e falsa: estávamos quebrados; o desmonte nos salvou. Vejam que lucro! Nossas receitas cresceram mais de 34%. Nunca, na história do país, uma empresa entregou tantos impostos e lucros ao governo!

O mesmo já havia ocorrido no ano passado, bem como em outros anos. Sistematicamente, na verdade. Mas, por que você não ficou sabendo? Por que não alardearam?

Imaginem uma cadeia de criação de valor (resultados e lucros), como um iceberg. O lucro líquido é só a ponta e ele só aparece sustentado acima de resultados gigantescos quando se trata do mundo do petróleo e do sistema de tributação ao qual está submetido. E a Petrobrás e a mídia omitem os resultados recorrentes e recordes conquistados ano a ano, que são muito maiores que o lucro líquido, este último sendo mascarado de inúmeras formas.

A pretensa bancarrota era e é justificada como consequência do endividamento da empresa para investir no Pré-Sal e tem servido como principal pretexto para a privatização fatiada da companhia, com alienação de ativos que poderiam render mais de US$ 34 bilhões até 2021. O endividamento da Petrobrás também serviu de fonte de recursos para banqueiros, que lucraram e lucram tanto ao inflarem a especulação e desvalorização do real frente ao dólar, quanto com o aumento das taxas de juros cobradas contra a Petrobrás. Ainda, como parceiros de grandes grupos empresariais e dos senhores do petróleo, abocanharam boa parte das reservas do Pré-Sal e ativos da empresa. No discurso da quebradeira continuam lucrando, pois adquirem ativos preciosos a precinhos e condições camaradas.

Agora, a reversão do lucro líquido ao campo positivo, depois de 5 anos de manipulações, demonstra a solidez da Petrobrás e revela que até nos anos de “prejuízo” (somente no lucro líquido), a empresa permanecia entregando resultados ao país.

Mantivemos um patamar de resultados crescentes ao longo dos últimos anos (entregava mais de 110bi anuais aos governos), somente afetados na sua expressão de lucro líquido em função de manobras com depreciação de ativos (impairments) ou diante de acordos bilionários com investidores estrangeiros (class actions). Em 2016, por exemplo, sem alarde a empresa teve a maior geração operacional de caixa em comparação com todas as outras grandes petroleiras.

O resultado de 2018 está sendo covardemente usado para que continuem a vender ativos na bacia das almas e permaneçam construindo planos de entrega de outros, como é o caso das refinarias, terminais, dutos e gasodutos, fábricas de fertilizantes e campos maduros.

BR Distribuidora, uma “vaca divina”, mas para o “mercado”

Já a BR Distribuidora, em seu primeiro balanço anual, apresentou lucro de R$ 3,2 bi, alta de 177,4% em relação a 2017. Por incrível que pareça, a BR teve ações lançadas em bolsa em dezembro de 2017 e na operação, a direção da Petrobrás vendeu por R$ 5 bi uma parcela de 28,75% do capital da companhia. Os papéis foram comprados por investidores privados pelo valor mínimo.

As 335 milhões de ações (28,75%) compradas da BR Distribuidora pelo mercado por apenas R$ 5 bilhões (a cotação de R$ 15 por ação) valem hoje R$ 8,26 bilhões (a cotação de R$ 24,65 por ação). Assim, Roberto Castello Branco e Paulo Guedes, com seu neoliberalismo entreguista fazem a felicidade de seus senhores da jogatina financeira e das velhas aves de rapina representadas pelas petroleiras estrangeiras. Para completar a obra, a direção da empresa propõe a distribuição de quase a totalidade (96%) desse resultado de 2018 aos acionistas.

Segue mais uma vez a política que tem vitimado empresas no mundo inteiro: maximização do retorno ao acionista em detrimento da longevidade da companhia.

Versão do impresso Boletim CXII

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