PP-3 e déficit da Petros foram temas de palestras na Reunião dos Aposentados

Na última terça-feira (6), du­rante a reunião dos Aposenta­dos e Pensionistas, no auditório do Sindipetro-RJ, ocorreram duas palestras sobre a situação do PPSP 1, ministradas por Sil­vio Sinedino, ex-conselheiro do Conselho Deliberativo da Petros e Fernando Siqueira, vice-dire­tor de Comunicação da Associa­ção de Engenheiros da Petrobras (Aepet).

Sinedino apresentou um pai­nel sobre o Plano PP-3 em que enumerou uma série de des­vantagens e riscos para quem aderir ao plano que o modelo de Contribuição Definida (CD), pro­posta pela Petros em alternativa ao atual PPSP1, além de explicar as diferenças entre os planos de Benefício Definido (BD), que é o modelo do atual Petros 1 e Con­tribuição Variável (CV), que é o modelo do Petros 2.

“As diferenças entre os planos são as seguintes: o BD é mutualis­ta, no qual todos os participantes e patrocinadores trabalham jun­tos na lógica do acúmulo duran­te o tempo que você trabalha e contribui, e quando você recebe o benefício enquanto aposen­tado. Isto é, todos pagam para todos . O custeio é bancado por esses recursos acumulados, sem a necessidade da contribuição para o resto da vida. O modelo CD é individualista na acumula­ção e no benefício. Aqui você é responsável por tudo que acon­teça, tanto na ativa, quanto na aposentadoria, é uma “caixinha” só sua que terá rendimento con­forme a variação do mercado fi­nanceiro. Então você sabe quan­to paga, mas não sabe quanto vai receber. Já o CV é uma mistura entre o BD e o CD. Na acumula­ção é individualista, sendo que na sua aposentadoria você pode optar por migrar para um fundo coletivo” – explicou.

O ex-conselheiro expôs os principais riscos nos Planos de Previdência e a responsabilida­de sobre estes riscos nos planos, salientando que a proposta da empresa é facilitar a privatiza­ção da Petrobrás.

“No BD você recebe de forma vitalícia. No CD, o benefício na aposentadoria pode ser pago por tempo definido ou por tempo indeterminado, mas você pode estar sujeito, caso extrapole seu tempo de vida, a ter o beneficio extinto. Se o dinheiro acumulado em sua conta individual acabar, já era. No CV você pode receber por tempo certo, indeterminado ou vitalício” – complementou.

Sinedino enumerou uma série de problemas com o PP-3 como: ser um plano CD; forma de cálculo de reserva matemá­tica – pagamento do PED; terá parcela dos ativos do PPSP, com gestão da Petros; cálculos de benefícios; dificuldades legais; anti seleção de risco; liquidez antecipada/portabilidade e cus­to pela quebra do mutualismo. E o principal, ele é irrevogável!

A história do déficit

Por sua vez, o engenheiro Fernando Siqueira fez uma apresentação sobre como foi a evolução do déficit da Pe­tros ao longo dos últimos anos.“É desinformação dizer que o déficit da Petros se constitui so­mente por corrupção ao longo dos anos, e de que os conselhei­ros não fizeram nada para evitar isso, o que não é verdade. Esse déficit existe por problemas que envolvem conjuntura econômi­ca como queda de ações; questões estruturais como o cálculo da família real, sendo que somen­te isso causou um défcit de R$ 5 bi. Sim, não podemos negar que houve corrupção e investimento mal feito. Nós os conselheiros a época conseguimos uma audi­toria que identificou 70 investi­mentos mal feitos, o que causou um prejuízo de mais de R$ 2bi.

Esses informes foram passa­dos ao Ministério Público Fede­ral (MPF), através da Operação Greenfield, mas até agora nada foi elucidado. Ainda temos a questão dos Pré-70, a Petrobrás de uma forma maldosa está di­zendo que eles não precisam pa­gar o déficit, e por isso ela tam­bém não paga. Só que o dinheiro dos Pré-70 acabou, haviam títu­los de R$ 4bi que já acabaram, agora a Petrobrás precisa colocar lá R$ 6bi. E agora está sendo feita uma reanálise disso para tentar resolver” – disse Siqueira na sua apresentação.

No próximo dia 20 de agos­to está sendo programada uma assembleia para avaliar a 3ª proposta de ACT da Petrobrás e ocorrerá também uma apresen­tação sobre o PP-3 e Proposta Al­ternativa elaborada pelo Fórum em Defesa da Petros.

 

Versão do impresso Boletim CXXXIII – Aposentados

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