Currículo de general nomeado por Bolsonaro é visto com desconfiança pela Petrobrás

Enquanto isso, Roberto Castello Branco segue tocando o desmonte, privatizações e os aumentos de combustíveis na empresa

O escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir a Petrobrás, em substituição a Roberto Castello Branco, general Joaquim Silva e Luna, vive a possibilidade de ter sua nomeação recusada pela assembleia geral extraordinária incumbida da avaliação por conta de seu currículo, considerado como não apto para comandar a companhia.

Segundo a Lei das Estatais, criada para atender os interesses do capital internacional e aprovada em 2016, ainda durante o governo Temer, para assumir uma cadeira no Conselho de Administração ou na diretoria das empresas públicas, especialmente com acionistas privados, o candidato precisa ter experiência de no mínimo 10 anos na área de atuação da companhia (petróleo) ou em empresas com porte ou objeto social semelhante. Ou seja, modificações na esteira do discurso falacioso de blindar as estatais de interesses partidários.

Se, por um lado, é importante que o presidente da Petrobrás entenda bem da área em questão, esse critério, por outro lado, foi criado e é utilizado pela linha mais diretamente tecnocrática, que é a mais arraigadamente privatista, para blindar o comando da empresa de “aventureiros” (leia-se também críticos ao privatismo).

Por sua vez, o general possui apenas dois anos à frente da Itaipu Binacional, sua primeira experiência no mercado empresarial.

Ainda em Itaipu, sob a gestão Silva e Luna, a empresa tornou-se a estatal mais militarizada do País. Além do presidente, há quatro executivos e dois conselheiros das forças armadas. Um cenário futuro na Petrobrás, caso Luna tenha confirmada sua nomeação na empresa.

Setores liberais colocam o holofote sobre os militares como um problema, para esconder que o liberalismo privatista é muito ditatorial e para manter intocada sua política de preços dos derivados com paridade de importação. Ainda assim, é de fato muito preocupante uma maior militarização da Petrobrás, diante dos indícios de que o bolsonarismo tem como projeto ou carta na manga um golpe.
A data para a realização da assembleia, que definirá se Silva e Luna assume ou não o cargo, ainda não foi definida pelo Conselho de Administração da companhia que aguarda pelo parecer do Comitê de Pessoas da Petrobras (Cope) sobre a aptidão do general. O comitê tem oito dias para examinar o currículo do candidato, prazo prorrogável por mais oito dias, se necessário.

Enquanto isso, Castello Branco continua firme em sua missão entreguista, a qual certamente será assumida por Silva e Luna, apesar de todo discurso de patriotismo cercando seu nome.

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