Ministro inglês fez lobby com governo Temer: Shell e BP foram beneficiadas

No domingo (19/11), o Greenpeace denunciou a prática de lobby do governo do Reino Unido no Brasil e divulgou documentos do governo que comprovam o foco em tributação, licenciamento ambiental e regras sobre contratação de empresas locais. O ministro do Comércio do Reino Unido, Greg Hands, esteve no Brasil em março deste ano para um café da manhã no Rio de Janeiro com o secretário-executivo no Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, para obter ajuda às empresas britânicas de energia, mineração e água a fecharem negócios no Brasil. Entre essas empresas estão as petrolíferas Shell, British Petroleum (BP) e Premier Oil.

Negociata

Poucas horas depois da postagem do Greenpeace na internet, o jornal do Reino Unido, The Guardian, deu visibilidade mundial à denúncia. O governo do Reino Unido nega que tenha praticado lobby, mas em agosto o governo Temer propôs um plano de alívio tributário de bilhões de dólares para perfuração offshore e em 27 de outubro a BP e a Shell foram as grandes vitoriosas no leilão do Pré-sal, abocanhando participação relevante das licenças de perfuração em águas profundas. (ver Boletim Sindipetro-RJ XXIX)

Tratados de fachada

Para o Greenpeace, o Reino Unido envolveu-se em um episódio embaraçoso. Segundo Rebecca Newson, assessora política do Grupo – que há 46 anos luta pelas florestas, oceanos e pelo clima – a prática junto ao governo brasileiro enfraquece o regime de licenciamento ambiental que prejudica todos os esforços difundidos pela Grã-Bretanha na cúpula da ONU em Bonn.

Lobista

Paulo Pedrosa é conhecido como o número 2 das Minas e Energia no governo Temer. Ele foi nomeado para o cargo em maio do ano passado pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Pedrosa notabilizou-se quando presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace), que representa pelo menos 50 empresas da indústria da transformação, por pressionar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) contestando ações de Desenvolvimento Energético no âmbito de políticas públicas.

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