Ato na sede da estatal denuncia omissão da Petrobrás com os petroleiros terceirizados do Complexo de Energias Boaventura; trabalhadores cobram adicional de periculosidade e avanços na pauta da CCT
Na manhã desta quinta (02), o edifício-sede da Petrobrás (EDISEN), no Centro do Rio de Janeiro, foi palco de uma forte manifestação com mais de seiscentos trabalhadores. Organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial no Município de Itaboraí (Sintramon) em conjunto com o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), o ato teve como objetivo trazer a pauta que é objeto da greve deflagrada na última segunda-feira no Complexo de Energias Boaventura. A paralisação no local conta com a adesão de pelo menos 5 mil trabalhadores e afeta diretamente as obras de construção de novas unidades e serviços essenciais, como os de limpeza administrativa e industrial.
Os trabalhadores terceirizados em greve estão em período de negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e reivindicam um reajuste salarial digno de 10%, vale-alimentação no valor de R$ 1.500,00 e, fundamentalmente, o pagamento do adicional dos 30% de periculosidade. O movimento, além de ter conseguido forte adesão por parte dos terceirizados, contou também com a solidariedade de parte dos trabalhadores próprios da empresa, os quais também exigem da Petrobrás a apresentação imediata de uma proposta para o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para a categoria.
Um dos precedentes que traduz a intransigência da Petrobrás no tema da periculosidade para todos foi a postura da companhia perante o Ministério Público do Trabalho. A estatal se recusou a comparecer a uma audiência de mediação convocada pelo Sindipetro RJ no início de junho, alegando não possuir gerência sobre a política remuneratória das empresas contratadas. Para o Sindipetro-RJ, essa justificativa é uma tentativa de se isentar da responsabilidade pelos riscos reais enfrentados pelos profissionais dentro de suas próprias instalações, onde o gás circula desde fevereiro de 2022. O sindicato denuncia uma grave contradição, já que a Petrobrás reconhece o conceito de “intramuros” para seus funcionários diretos, pagando a periculosidade independentemente da função ou local na unidade, mas tolera que empresas contratadas neguem esse direito básico aos petroleiros terceirizados.
Durante a audiência de conciliação realizada hoje, a empresa apresentou duas alternativas de acordo: a primeira prevê 15% de aumento no vale-alimentação (chegando ao valor de R$ 1.150,00) atrelado a 6% de reajuste salarial; já a segunda opção oferece 10% de reajuste no VA com 7% de aumento no salário. A proposta apresentada ignora a exigência do pagamento de 30% de adicional de periculosidade.
Diante deste cenário, o Sintramon chamou os trabalhadores para uma nova assembleia nesta sexta (03) para debater os termos apresentados e decidir os rumos da mobilização.
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