Direção da Petrobrás fecha os olhos para surto de COVID-19 em plataformas do Pré-Sal no Campo de Búzios

Nas últimas semanas foi caracterizado um surto de COVID-19 nas plataformas  P-74 e P-75 e a direção da empresa ignora solenemente comunicados do Sindipetro-RJ que pede parada de produção

Desde o dia 11 de fevereiro, a direção do Sindicato recebeu novas informações sobre o surto de COVID-19 na P-74, denunciando já naquela ocasião que pelos menos 12 pessoas foram testadas como casos positivos desde o dia 04/02.

O Sindipetro-RJ escreveu cinco ofícios (29, 30, 31, 32 e 38 ) à hierarquia da Petrobrás exigindo diversas medidas. Entre elas a redução ao mínimo do POB ( People on Board ) com a parada de produção. Alertamos também que o acoplamento da UMS Maracanã e o ingresso de mais de 200 trabalhadores para circular na P-74 poderia se transformar em um desastre sanitário.

Infelizmente a pior hipótese se confirmou. Tivemos o falecimento de uma trabalhadora terceirizada, que apresentou sintomas após o desembarque da P-75, foi internada, entubada e depois não resistiu à doença.

Na P-74 foram registrados 14 casos em uma semana. Na segunda-feira (22/02) foram identificados mais nove casos positivos. Uma tragédia anunciada. É fundamental que a empresa pare a produção e reduza imediatamente o número de embarcados.

Em um dos ofícios enviados para a empresa sobre esta situação, o Sindicato frisa os riscos de contaminação, pois já há uma quantidade considerável de contaminados e contactantes que tiveram ou que terão que desembarcar.

O Sindicato chama atenção para o fato de que seria totalmente incorreto embarcar outras pessoas para substituições nesse momento diante do total risco de contaminação. Segundo trecho do ofício, “uma implicação importante disso é que algumas tarefas essenciais para a operação da unidade estão ficando comprometidas por falta de pessoal. O problema da segurança do próprio processo de trabalho começa a ficar comprometido também”.

O Sindicato ainda lembra à empresa que não ter equipe suficiente para operar a unidade com segurança, exige a parada de produção da P-74.

E faz um alerta de urgência à Petrobrás: “perante esse quadro de surto de COVID-19 e de falta de pessoal em funções essenciais à segurança do processo, torna-se URGENTE a parada de produção da unidade. Qualquer tergiversação nesse terreno pode ter consequências graves”.

O Sindipetro-RJ exige da Petrobrás que seja garantida uma testagem geral a bordo, com a desinfecção total das plataformas. Outro ponto importante é a redução do POB para também garantir a habitabilidade e a segurança do trabalho a bordo para evitar o ambiente de contágio da COVID-19, isso pode significar até uma parada de produção para garantir a segurança dos trabalhadores, pois vidas importam.

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