Petrobrás adota tática da falsa trégua

Enquanto retira direitos da categoria

O discurso do “chora miséria” mascara a intenção de privatização da empresa que já desocupa prédios, preparando o cenário para demissões em massa

Até 2022, atividades serão restritas ao Sudeste

Na última quinta-feira (5) na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasí­lia foi realizada uma reunião uni­lateral do juízo somente com as re­presentações sindicais da categoria petroleira conforme o calendário de mediação do ACT.

No dia seguinte (6) a direção da Petrobrás declarou que vai desocu­par o edifício Torre Pituba em Sal­vador (BA). O fato é que funcioná­rios estão sendo colocados na fila de demissão, sem contar os milhares de terceirizados que já têm até data certa para rescisão. Seguem os ata­ques em meio à mediação.

Em nota a empresa citou que este ano, já desocupou o EDISP, em São Paulo, e que está saindo do Edi­fício Ventura, no Centro do Rio de Janeiro, e do Edifício Novo Cavalei­ros, em Macaé. Essas desocupações anunciadas, indubitavelmente, vão compor a pauta para o encontro conjunto nesta terça-feira (10) pro­posto pelo calendário de mediação do TST, com a presença das fede­rações e a representação da Petro­brás em Brasília.

Será o momento de reafirmar que a categoria não abre mão de seus direitos e que não aceitará demissões e uma nova proposta que rebaixe o ACT e fortaleça o desmonte.

O que fica cada vez mais evi­dente é que a cantilena da direção da Petrobrás de que a empresa está em dificuldades, para justificar tan­to um reajuste salarial que não con­templa nem a inflação do período quanto retirar direitos históricos é uma farsa quando divulga resul­tados que mostram exatamente o contrário com pagamentos de di­videndos cada vez maiores resul­tantes de um lucro líquido recorde. Somente neste 2º trimestre o lucro foi de R$ 18,9bi, representando um aumento de 368% em relação ao lu­cro líquido do primeiro trimestre do ano (R$ 4 bilhões) e 87% na compa­ração com o segundo trimestre de 2018 (R$ 10,1 bilhões). Em 4 de outu­bro, aos seus acionistas, a Petrobrás pagará R$2,6bi como remuneração antecipada por causa deste lucro.

A política do “chorar miséria” não tem relação nenhuma com uma política de sustentabilidade e reorganização financeira e mer­cadológica, ela é nada mais do que a aplicação de um receituário neo­liberal para impor, de fato uma po­lítica de privatização e entrega da companhia. Para isso, a direção da Petrobrás adota práticas de rebai­xamento de ACT, cortes no SMS, cortes na reposição de efetivos, intensifica a terceirização, dilapi­da a AMS e inviabiliza o fundo de pensão Petros, desprestigiando ao máximo seu maior patrimônio que é a sua força de trabalho. Tudo isso institucionalizando a política do as­sédio, ao indicar que seus gerentes “convidem” seus chefiados a vota­rem na proposta da empresa.

Mais ataques

Enganou-se quem achou que com a mediação do TST essa prática iria cessar. Em meio às reuniões em Brasília, a direção da empresa enviou um comunicado às federações infor­mando que “chegando às partes a assinatura de um novo acordo coletivo de trabalho, as liberações sindicais neste período de prorro­gação podem ser alteradas, man­tidas, canceladas ou ajustadas de acordo com as regras definidas no novo acordo” – diz o documen­to enviado na quinta. Essa é mais uma ação antissindical.

Aliás, no dia seguinte do anún­cio da concordância da mediação no TST, na terça (3), a empresa, atra­vés de um representante do seu Ju­rídico divulgou um vídeo em que mais uma vez deturpa a realidade das negociações, condicionando-as a não realização de uma greve, e que caso não haja acordo, ao fim do prazo estabelecido pelo TST de 30 dias de prorrogação do ACT atual vai aplicar a nova CLT, conforme a reforma Trabalhista aprovada ainda no governo Temer. Esta fala foi prontamente respondida pelas federações em vídeos publicados pela FNP (http://bit.ly/JurídicoFNP)  e FUP. Esse comportamento é um exemplo de uma série de tentativas de pressionar a categoria.

O contexto de luta é mais do que necessário perante os recor­rentes absurdos desse governo que promove a destruição do Meio Ambiente, suprime direitos sociais e que entrega os recursos do Brasil a preços da banana, atuando como um capacho do imperialismo.

O momento é de encarar esses ataques e de unir forças na defesa dos direitos da categoria petroleira e da Petrobrás.

 

Versão do impresso Boletim CXXXIX

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